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Com mais de duas décadas de prática ininterrupta, o serviço de Psicologia do Clube de Regatas do Flamengo é um dos mais tradicionais do Brasil no trabalho psicológico com atletas de futebol. Ao longo dessa jornada, vem contribuindo efetivamente na formação de vários jogadores de destaque no futebol nacional e internacional. O trabalho dos psicólogos e estagiários de psicologia oferece acompanhamento e preparação psicológica a todas categorias do futebol, desde o mirim até o profissional. Há algum tempo também funciona no futsal, da categoria infantil até o adulto. O Serviço de Psicologia do Flamengo atende hoje a psicólogos e estudantes de psicologia do Brasil inteiro com instruções, referências e consultoria no trato desta área apaixonante. Aqui nesse espaço virtual você encontrará textos, artigos, notícias, blibliografia,dicas e reflexões, tudo para ajudar a psicologia do esporte nacional a alcançar o patamar que merece junto às ciências do esporte

Curso de Psicologia do Esporte - Abordagem do C.R. Flamengo


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Flamengo na FeSBE 2009: Divulgando a Psicologia do Esporte


por Alberto J. Filgueiras
O Serviço de Psicologia do Clube de Regatas do Flamengo esteve presente na XXIV Reunião Anual da FeSBE (Federação das Sociedades de Biologia Experimental) e XXXIII Congresso da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC) apresentando o trabalho: "Avaliação Neuropsicológica da Precisão do Movimento: Um modelo de estudo aplicado ao Esporte e Reabilitação" no dia 20 de agosto de 2009. O evento transcorreu nos dias 19 a 22 de agosto. Fomos a única instituição esportiva (não-educacional) a apresentar um trabalho acadêmico e de pesquisa num dos maiores eventos da área no Brasil. São iniciativas como esta que levam o nome da Psicologia do Esporte e do Flamengo para a comunidade científica tornando-nos referência, cada vez mais.

Artigo: Tempo de Reação no Futebol

por Erick Conde
O trabalho intitulado como "TEMPO DE REAÇÃO NO FUTEBOL: A TAREFA DE COMPATIBILIDADE ESTÍMULO-RESPOSTA (CER) COMO ESTRATÉGIA DE TREINAMENTO", foi aprovado para publicação na revista “Coleção e Pesquisa em Educação Física”, da editora Fontoura. A revista, que foi avaliada pela Capes como Qualis B5 nacional, tem como previsão para publicação do artigo o mês de novembro de 2009. O estudo investigou o tempo de reação de jogadores mirins durante a simulação virtual de algumas situações comuns na prática do futebol. Esta será a primeira publicação do setor de Psicologia e Neurociência aplicada em um periódico científico de Educação Física. Os resultados serão apresentados no 2º Simpósio Brasileiro sobre Fisiologia e Preparação Física no Futebol, que será realizado em Jundiaí nos dias 25 e 26 de setembro de 2009.

Hoje é clássico: Será que dá para segurar a ansiedade?


por Alberto J. Filgueiras, Adriana Lacerda & Erick Conde
A ansiedade é um conjunto de reações fisiológicas e cognitivas que são interpretadas como uma emoção pelo sujeito. A reação de ansiedade frente a uma situação ameaçadora é necessária à sobrevivência e não provoca nenhum dano ao organismo. A ansiedade como um estado de superativação emocional crônica é problemática quando o indivíduo superestima o perigo e subestima os recursos pessoais. O processamento falho da informação é que vai explicar por que a ansiedade se torna crônica.

Aumento no batimento cardíaco, sudorese, eriçar de pêlos, aumento da frequência respiratória, rigidez muscular e diminuição na acuidade visual são algumas das principais reações fisiológicas que aparecem diante de situações de ansiedade. Na esfera cognitiva temos: diminuição da capacidade de manter a atenção difusa (em vários estímulos ao mesmo tempo), diminuição da concentração (manter a atenção em um estímulo por um período de tempo alongado), aumento do tempo de reação (normalmente relacionado a insegurança), aumento de respostas de antecipadas (normalmente mal-calculadas ou exageradas), aumento da agressividade, vontade de fugir/sumir da situação vivida e sensações de medo, angústia ou desespero (SADOCK & SACOCK, 2008).

Os clássicos regionais como Flamengo x Botafogo/Vasco/Fluminense são fontes de ansiedade, principalmente nas categorias de formação. As torcidas organizadas participam, os estádios são emblemáticos, há queima de fogos na entrada dos clubes e a pressão construída em um histórico social de rivalidade são fatores que contribuem para respostas ansiosas que podem influenciar no desempenho dos atletas.

Então como podemos fazer para diminuir os níveis de ansiedade a um estado desejável? Será que conseguiremos ensinar nossos jovens atletas a controlar suas emoções? Há técnicas, da Psicologia que permitem melhor desempenho emocional e concentração no Esporte?

Vilani, Lima e Samulski (2002) fazem uma breve revisão das técnicas que são utilizadas pelos Psicólogos do Esporte na concentração dos atletas. São técnicas eficazes, com evidências encontradas por vários cientistas e usadas por grandes nomes do Desporto mundial como Michael Phelps, Roger Federer e Lewis Hamilton.

Pensemos em três passos que devem ser seguidos a fim de trabalhar os níveis de ansiedade dos atletas:
1 - Reconhecer as emoções: O atleta deve atentar para as reações fisiológicas geradas por seus diferentes estados emocionais;
2 - Perceber seu nível de ativação interna: Dentre as emoções que o atleta sabe reconhecer, qual delas está predominando naquele momento;
3 - Reduzir a ansiedade: Respirar profundamente através de técnicas de relaxamento aprendidas e reestruturar seu pensamento em face dos acontecimentos.

Logo, é possível pensarmos em técnicas que auxiliam e até permitem o controle emocional do atleta durante a atividade esportiva. Contudo, ensinar estas técnicas exige tempo e dedicação tanto do desportista quanto do Psicólogo. O aprendizado não se dá imediatamente, portanto, o trabalho do Psicólogo do Esporte deve ser essencial em todas as categorias de formação, para criarmos atletas cada vez mais capazes de se controlar diante de situações ansiosas.

Referências:

SADOCK, BJ, SADOCK, VA (2008). Manual Conciso de Psiquiatria Clínica. Porto Alegre: Artmed.

VILANI, LHP, SAMULSKI, DM, LIMA, FV (2002). Atenção e concentração no tênis de mesa: síntese e recomendações para o treinamento. Em: SILAMI-GARCIA, E, LEMOS, KLM (Org.). Temas atuais VII: Educação Física e Esportes. Belo Horizonte: [s.d], p. 173-190.

CURSO PRÁTICO EM PSICOLOGIA DO ESPORTE

OBJETIVOS: Capacitar profissionais e estudantes de psicologia para trabalhar com o esporte competitivo.


ATIVIDADES: Acompanhamento de treinos e jogos; supervisão semanal e discussão de casos; Modalidade: Futsal


CONTEÚDO: Avaliação e intervenção no contexto esportivo; dinâmicas de grupo; a psicologia do esporte e o trabalho interdisciplinar; modelo cognitivo-comportam ental; princípios da neurociência do esporte e do exercício.


LOCAL: Canto do Rio Football Club. Rua Visconde do Rio Branco, 681 - Centro – Niterói/RJ.


DURAÇÃO: Agosto a Dezembro de 2009


INVESTIMENTO: estudantes (R$100 ,00 mensais); graduados (R$ 120,00 mensais)

INFORMAÇÕES: 21 86629984 / psicoerick@yahoo. com.br


COORDENAÇÃO: Erick Conde CRP 05/29310

O futebol líquido


texto por Alberto J. Filgueiras
O futebol sempre teve seus momentos de “amor à camisa”, “clube do coração” ou jogadores que tinham “a cara do clube”, “amor ao time”. Na década de 60 e 70 o Flamengo teve Dida, Fio Maravilha, Paulo César Caju e Gérson, na década dourada de 80 o maior ídolo rubro-negro de todos os tempos: Zico.
Porém, o mundo do futebol vem evidenciando o que os cientistas sociais observam há mais de 40 anos: a flexibilidade dos laços interpessoais. Zygmunt Bauman (1999) traz em sua obra uma análise acerca da modernidade mostrando que o ser humano do fim do século XX e início do século XXI não tem laços rígidos (solidificados) tão fortes quanto se tinha em meados do século passado. As famílias se encontram menos, as pessoas preferem experimentar marcas diferentes (ou seja, há menos fidelidade a um produto), os casais se separam mais, há mais discussões nas ruas, no trânsito e menos tolerância com as escolhas dos outros. Significa dizer, que há uma flexibilidade nas ações das pessoas maior que no passado e, ao mesmo tempo, uma falta de laços com o presente.
O futebol não é um ambiente dissociado da sociedade, pelo contrário, é formado por instituições humanas e controladas por uma dinâmica que se configura a partir da própria sociedade em que está inserida. Quando vemos um atleta deixar o clube que o projetou por outro em um país sem qualquer tradição futebolística, perguntamo-nos a causa e o que passa na cabeça daquele rapaz. Porém, este comportamento é reflexo de uma sociedade cujos laços se perdem com facilidade, se criam e se dissolvem rapidamente, são líquidos e passam como rios, mas que nossos corações não se deixam levar (Mestre Paulinho da Viola perdoe o trocadilho).
A sociedade está assim e o futebol é apenas um segmento social que, no Brasil, tem mais projeção midiática. Portanto, não é o que o atleta pensou quando nos deixou, mas a forma como temos tratado uns aos outros. Pense nisso!

Referência:
BAUMAN, Zygmunt. Modernidade e Ambivalência. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1999.

Imaginação e Futebol: tudo a ver!


texto por Alberto J. Filgueiras

O técnico do Vasco da Gama, Dorival Júnior, chamou a atenção dos repórteres por simular uma situação de jogo com “adversários invisíveis” e executar o treinamento e a movimentação com os atletas a partir apenas da imaginação (http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Times/Vasco/0,,MUL1176216-9877,00.html). Outro famoso técnico que costuma fazer este trabalho com sucesso é Luiz Felipe Scolari (Felipão) que chegou a realizar este treino com a seleção brasileira campeã de 2002.

Treinamento invisível não é uma novidade no futebol, muito menos na Psicologia. KOLB & WISHAW (2002) lembram que o treinamento através de técnicas de imagética - ou seja, imaginar uma situação e tentar reproduzi-la mentalmente - é comum para aprimorar o desempenho da concentração, promover a capacidade de planejar e fortalecer as conexões sinápticas do córtex pré-frontal responsáveis pelas funções executivas no momento de realizar aquilo que foi imaginado.

A técnica de imagética mental para treinamento de situações já foi capaz de salvar vidas! Nos Estados Unidos, no dia 17 de janeiro deste ano, o piloto de aeronaves Chesley Sullenberger pousou no rio Hudson o avião salvando 155 pessoas. Segundo relatos do próprio piloto ele já havia imaginado aquela situação tantas vezes em sua carreira que, no momento em que aconteceu, sabia exatamente o que fazer.

Portanto, a imagética mental é uma técnica que pode ser reproduzida em diversos aspectos da vida, incluindo o esporte. Use sua imaginação e veja seu desempenho melhorar bem diante de seus olhos (ou da sua mente).

Referência:

KOLB, B., WISHAW, I.Q. Neurociência do Comportamento. 1ª Ed. Barueri: Editora Manole, 2002.

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