Flamengo Campeão

BEM VINDO AO PRINCIPAL PORTAL DA PSICOLOGIA DO ESPORTE NO BRASIL

Com mais de duas décadas de prática ininterrupta, o serviço de Psicologia do Clube de Regatas do Flamengo é um dos mais tradicionais do Brasil no trabalho psicológico com atletas de futebol. Ao longo dessa jornada, vem contribuindo efetivamente na formação de vários jogadores de destaque no futebol nacional e internacional. O trabalho dos psicólogos e estagiários de psicologia oferece acompanhamento e preparação psicológica a todas categorias do futebol, desde o mirim até o profissional. Há algum tempo também funciona no futsal, da categoria infantil até o adulto. O Serviço de Psicologia do Flamengo atende hoje a psicólogos e estudantes de psicologia do Brasil inteiro com instruções, referências e consultoria no trato desta área apaixonante. Aqui nesse espaço virtual você encontrará textos, artigos, notícias, blibliografia,dicas e reflexões, tudo para ajudar a psicologia do esporte nacional a alcançar o patamar que merece junto às ciências do esporte

O futebol líquido


texto por Alberto J. Filgueiras
O futebol sempre teve seus momentos de “amor à camisa”, “clube do coração” ou jogadores que tinham “a cara do clube”, “amor ao time”. Na década de 60 e 70 o Flamengo teve Dida, Fio Maravilha, Paulo César Caju e Gérson, na década dourada de 80 o maior ídolo rubro-negro de todos os tempos: Zico.
Porém, o mundo do futebol vem evidenciando o que os cientistas sociais observam há mais de 40 anos: a flexibilidade dos laços interpessoais. Zygmunt Bauman (1999) traz em sua obra uma análise acerca da modernidade mostrando que o ser humano do fim do século XX e início do século XXI não tem laços rígidos (solidificados) tão fortes quanto se tinha em meados do século passado. As famílias se encontram menos, as pessoas preferem experimentar marcas diferentes (ou seja, há menos fidelidade a um produto), os casais se separam mais, há mais discussões nas ruas, no trânsito e menos tolerância com as escolhas dos outros. Significa dizer, que há uma flexibilidade nas ações das pessoas maior que no passado e, ao mesmo tempo, uma falta de laços com o presente.
O futebol não é um ambiente dissociado da sociedade, pelo contrário, é formado por instituições humanas e controladas por uma dinâmica que se configura a partir da própria sociedade em que está inserida. Quando vemos um atleta deixar o clube que o projetou por outro em um país sem qualquer tradição futebolística, perguntamo-nos a causa e o que passa na cabeça daquele rapaz. Porém, este comportamento é reflexo de uma sociedade cujos laços se perdem com facilidade, se criam e se dissolvem rapidamente, são líquidos e passam como rios, mas que nossos corações não se deixam levar (Mestre Paulinho da Viola perdoe o trocadilho).
A sociedade está assim e o futebol é apenas um segmento social que, no Brasil, tem mais projeção midiática. Portanto, não é o que o atleta pensou quando nos deixou, mas a forma como temos tratado uns aos outros. Pense nisso!

Referência:
BAUMAN, Zygmunt. Modernidade e Ambivalência. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1999.

Imaginação e Futebol: tudo a ver!


texto por Alberto J. Filgueiras

O técnico do Vasco da Gama, Dorival Júnior, chamou a atenção dos repórteres por simular uma situação de jogo com “adversários invisíveis” e executar o treinamento e a movimentação com os atletas a partir apenas da imaginação (http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Times/Vasco/0,,MUL1176216-9877,00.html). Outro famoso técnico que costuma fazer este trabalho com sucesso é Luiz Felipe Scolari (Felipão) que chegou a realizar este treino com a seleção brasileira campeã de 2002.

Treinamento invisível não é uma novidade no futebol, muito menos na Psicologia. KOLB & WISHAW (2002) lembram que o treinamento através de técnicas de imagética - ou seja, imaginar uma situação e tentar reproduzi-la mentalmente - é comum para aprimorar o desempenho da concentração, promover a capacidade de planejar e fortalecer as conexões sinápticas do córtex pré-frontal responsáveis pelas funções executivas no momento de realizar aquilo que foi imaginado.

A técnica de imagética mental para treinamento de situações já foi capaz de salvar vidas! Nos Estados Unidos, no dia 17 de janeiro deste ano, o piloto de aeronaves Chesley Sullenberger pousou no rio Hudson o avião salvando 155 pessoas. Segundo relatos do próprio piloto ele já havia imaginado aquela situação tantas vezes em sua carreira que, no momento em que aconteceu, sabia exatamente o que fazer.

Portanto, a imagética mental é uma técnica que pode ser reproduzida em diversos aspectos da vida, incluindo o esporte. Use sua imaginação e veja seu desempenho melhorar bem diante de seus olhos (ou da sua mente).

Referência:

KOLB, B., WISHAW, I.Q. Neurociência do Comportamento. 1ª Ed. Barueri: Editora Manole, 2002.